Domingo, 6 de Janeiro de 2008

E o comboio não passava em Lousada

 

Pela primeira vez, as populações de três concelhos reuniram-se à volta de uma ideia: o caminho-de-ferro.

A linha do Tâmega revelava-se insuficiente para as necessidades das populações de Penafiel, Lousada e Felgueiras, uma vez que as estações existentes distavam vários km dos respectivos centros. Estes concelhos estavam isolados no progresso e nas comunicações. Não havia, ainda, o transporte rodoviário, só o caminho-de-ferro era a ligação rápida da época.

Não sendo contemplado pelo governo com uma linha ferroviária que tirasse do isolamento estes concelhos, em 1908, o Dr. Cerqueira Mago lança a entusiasta ideia do caminho-de-ferro de Penafiel à Lixa, passando por Lousada e Felgueiras. Esta ideia foi abraçada por toda a população, uma vez que representava um grande melhoramento para o comércio, indústria e população dos concelhos por onde se projectou passar.

Nesse mesmo ano, iniciaram-se as diligências para dar início à construção da linha férrea. Em Maio, registava-se já uma grande lista de subscritores para as acções do caminho-de-ferro de Penafiel à Lixa.

Em Fevereiro de 1909, começavam os primeiros trabalhos para a organização da planta dos terrenos por onde devia passar o caminho-de-ferro. Em Lousada a linha atravessava o concelho nas freguesias de Lodares, Nevogilde, Nespereira, Boim, Cristelos, Silvares, Nogueira, Alvarenga, Stª Margarida e S. Miguel.

A 8 de Novembro de 1913, foi inaugurado o troço de Novelas a Lousada. O comboio, rebocado pela máquina "Lousada", chegou à Vila de Lousada por volta das 11 horas e o percurso fazia-se em 22 minutos.

Uma multidão aguardava a chegada do comboio, com um festival de fogo de artifício animado pelas bandas de música de Lousada e Vizela. A rua Visconde d'Alentém estava embandeirada e das janelas eram atiradas flores à passagem do comboio.

Em 1916, dada a crise da I Guerra Mundial, a Companhia começava a atravessar um período difícil que, a par dos frequentes acidentes na via-férrea, punham em risco a sua existência. A conjuntura política nacional e internacional, conjuntamente com a circulação rodoviária de pesados que se intensificara em meados de 1920, deram a machadada final no futuro da Companhia.

Apesar das várias tentativas de liquidação das dívidas da companhia, o caminho-de-ferro não tinha condições de viabilidade. Estava, assim, inutilizado o esforço, iniciativa e carinho devotado por algumas dezenas de homens que conseguiram construir, sem auxílio do Estado, facto único em Portugal, a primeira associação voluntária de municípios de três concelhos: Lousada, Penafiel e Felgueiras.

Da passagem do comboio por Lousada, carinhosamente apelidado de «Dona Joaquina» ou «Dona Chocolateira», ficaram somente as fotografias e o apeadeiro de Gondariz, mandado edificar pelo Visconde de Lousada, para uso pessoal no acesso ao comboio.

Ficou, também, o empenho de uma população na concretização do sonho que nasceu de uma ideia no tempo da monarquia (1908), viveu durante a 1ª República, sofreu as amarguras da I Guerra Mundial e veio a morrer durante a vigência da governação militar (1931) instaurada após a Revolução Militar de 28 de Maio de 1926.

 Prof. Margarida Moreira

 

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Margarida às 17:09

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Chegou o Comboio...1856

 "...a máquina, escusado será dizer, das mais primitivas (parecia um enorme garrafão) não tinha força suficiente para puxar todas as carruagens que lhe atrelaram e fora-as largando pelo caminho. Algumas, de convidados, nos Olivais. O vagon do Cardeal Patriarca e do Cabido ficou em Sacavém; mais um recheado de ilustres personalidades ficou ao desamparo na Póvoa. Creio que, se o Carregado fosse mais longe, chegava a máquina sozinha ou só parte dela."

                                                       in, Caminhos de ferro portugueses - Eng. Francisco Abragão

A primeira viagem de comboio em Portugal, entre Lisboa e o Carregado, realizou-se a 28 de Outubro de 1856. Nesse tempo não havia estradas, nem sequer bons caminhos. Os assaltos eram frequentes e até havia quem, com medo dos salteadores, "antes de partir deixasse feito o seu testamento".

De liteira demorava-se, pelo menos, cinco dias para ir de Lisboa ao Porto. De mala-posta seriam, no mínimo, 34 horas. Uma simples carta precisava de oito dias para chegar a Bragança...

Por isso, quando em 1856, D. Pedro V inaugurou o caminho-de-ferro até ao Carregado foi uma autentica revolução. Vinte anos depois do resto da Europa chegava, finalmente, a Portugal o progresso sobre carris.

Projecto do ministro Fontes Pereira de Melo, o comboio trazia com ele sonhos de desenvolvimento. Queria fazer-se de Lisboa a porta da Europa e quebrar o isolamento cultural e económico de séculos.

"Pelos caminhos-de-ferro que tinham aberto a península" - resumiu Eça de Queirós - "rompiam cada dia (...) torrentes de coisas novas, ideias, sistemas, estéticas, formas, sentimentos, interesses humanitários."

Durante mais de um século, para tudo quanto era importante em Portugal se ia de comboio.

De comboio partiu para o exílio Bernardino Machado, à porta de uma estação morreu Sidónio Pais, por caminho-de-ferro embarcou, em 1917 para a I Guerra Mundial, o Corpo Expedicionário Português, com o apoio dos ferroviários se fez o 28 de Maio de 1926.

E foi ainda de comboio que seguiu o funeral de Salazar ou que, depois do 25 de Abril de 1974, regressou do exílio Mário Soares.

                                                                                                                              Prof. Margarida Moreira

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Margarida às 02:05

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Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008

Convite aos alunos

As professoras da disciplina de História da Escola Básica 2/3 de Nevogilde convidam os seus alunos para um Momento de História que pode ser N...

Pode ser  de História Universal ou de um pouco mais próxima; do país, do concelho de Lousada ou da escola de Nevogilde que, também, já tem a sua pequena história.

Queremos que seja o vosso momento de HistóriaN.

Bom trabalho!!

Prof. Margarida Moreira

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Margarida às 22:13

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Momentos da História Universal ou um pouco mais próxima... Pretende estimular a autonomia dos alunos e o gosto pelo conhecimento do passado. Projecto BlogN - EB 2/3 de Nevogilde

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