Sábado, 10 de Abril de 2010

Romantismo

 

 

I - Romantismo, revolução e nacionalismo

Aquilo que determina o florescimento ou a decadência das artes, em qualquer época, é ainda um facto muito obscuro. Contudo, não resta dúvida de que, entre 1789 e 1848, a resposta tem de se ir buscar ao impacto da dupla revolução. Se uma só frase enganadora resumisse as relações do artista e da sociedade neste período, poderíamos dizer que a Revolução Francesa inspirou o artista pelo seu exemplo, a Revolução Industrial pelo seu horror e a sociedade burguesa, que emergiu de ambas, transformou a sua própria existência e modos de criação.

 


Durante este período, é um facto indesmentível que os artistas eram directamente inspirados pelas questões públicas e que nelas se deixavam envolver. (…)

 


O elo entre as questões públicas e as artes é particularmente forte nos países em que se desenvolvia uma consciência nacional, ou em que se geravam movimentos de libertação ou de unificação nacional. Não é por mero acaso que o ressurgimento ou o dealbar das culturas eruditas nacionais da Alemanha, da Rússia, da Polónia, da Hungria, dos países escandinavos e doutras partes coincidiam – e em muitos casos seriam a sua primeira manifestação – com a afirmação da supremacia cultural da língua vernácula e do povo autóctone, contra uma cultura aristocrática cosmopolita que se servia frequentemente de um idioma estrangeiro.

É natural que tal nacionalismo tenha encontrado a sua expressão cultural mais evidente na literatura e na música, ambas artes públicas que podiam, além do mais, ir beber à poderosa herança criadora da gente comum – a língua e o folclore. 

HOBSBAWM, E. J., A Era das Revoluções (1789-1848), Lisboa, Editorial Presença


II - A Arte do Romantismo


Ao varrer todos os vestígios das correntes neoclássicas anteriormente dominantes na literatura e na arte, o romantismo manifesta algo que constitui um dos signos essenciais da arte do século XIX: o espírito individualista. Afastando-se voluntariamente de todas as regras tradicionais, o romântico parece que busca o isolamento para se interrogar acerca dos mais graves problemas do homem (o do destino, o de Deus), quiçá esperançado em encontrar em si próprio revelações geniais.

Mas o romantismo pressupõe, acima de tudo, um estado de exaltação; nele não se concebe a serenidade. “Ser romântico”, disse Novalis, “é dar ao quotidiano um sentido elevado, ao conhecido, o prestígio do que desconhece, ao finito, o esplendor do infinito”.

Pressupõe, pois, um exacerbamento passional (que não é necessariamente de natureza amorosa). Já no seu último período, o século XVIII havia nutrido esse estado de espírito mediante certos elementos imaginativos que actuam sobre a alma dominada por essas tendências como um poderoso excitante. Os românticos cultivaram à larga todas as manifestações da fantasia. Uma das suas ideias fixas era a da morte, que veio a tornar-se no período do romantismo a grande obsessão. Daí o interesse pela noite, que no período pré-romântico do século anterior já aparecia como uma prefiguração da morte.

 
A fuga do real para o imaginário foi outro dos sintomas românticos. Sonha-se com países longínquos, e, pela imaginação, cada um se evade para o passado, em especial para a Idade Média, da qual se forjou uma ideia poética e vaga. 

in PIJOAN, José, História da Arte, Lisboa, Publicações alfa, vol. 8,


Margarida às 15:58

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